segunda-feira, 8 de junho de 2026

O inverno e o pecado da preguiça

Sabe o por que é tão difícil acordar as 5 da manhã, numa terça feira fria e escura para cometer o ato de correr? 

Me diz a verdade: você não sente um pouco de inveja da insanidade dessa pessoa?

Fico muito triste em não conseguir acordar as 5 da manhã para não fazer nada além de trabalhar. Se está frio ou chuva? Impossível eu sair da cama quentinha e apostar comigo mesmo uma corrida – diga-se de passagem, perder. 

Meu ponto é: se você tem a resiliência e disciplina para acordar as 5 da manhã em um dia de muito frio para correr, sugiro correr até um terapeuta.

Um comentário:

  1. Eu li seu texto e entendi exatamente o seu ponto. Por muito tempo, eu também via a corrida dessa forma, como um sacrifício enorme que exigia uma disciplina quase sobre-humana. Durante mais de um ano, eu ia para a rua no modo automático, sem pensar, só indo.
    ​Só que a corrida é uma coisa curiosa. Em algum momento, a chave vira. O que antes era uma obrigação pesada, de repente se transforma em um prazer inexplicável. Hoje, eu sinto falta quando não vou. Claro que existem dias em que o treino é sofrido, dolorido, e no meio do caminho a gente se pergunta o porquê de estar ali. Mas a resposta vem logo que eu termino. É quando minha mente acalma, quando encontro a paz que preciso e quando, no fundo, já fico querendo que o dia passe rápido para repetir tudo no dia seguinte.
    ​Não estou aqui para romantizar, porque o esforço de acordar cedo no frio é real e o cansaço existe. Mas, para quem é ansiosa como eu, esse esforço vira um remédio necessário. É uma troca justa onde, no final, a paz que a corrida me traz faz valer cada segundo daquele esforço inicial.

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