segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Sobre ser o ordinário de ser épico

 

O que você me diria se perguntasse algo que foi épico para você?

A palavra épico vem do grego: “epikós”, derivado de “epos”, que significa algo como discurso ou canção. Era muito usada para epopeias, como poemas com feitos heroicos. Hoje, refere-se muito a alguma proeza que alguém tenha feito, algo incrível, impressionante e, claro, tudo que há de bom.

Me diga, o que tem feito de épico ou o que fez nos seus tempos áureos?

As pessoas confundem hoje esse termo com o valor monetário investido:

Fui pra Paris, fui pras Maldivas, vi o presidente da Rússia, PUTIN, roubei a corrente da Taylor Swift. Almocei no mesmo lugar que a Amelie Pollan, toquei na mão do Serginho Malandro.

Foi épico.


Veja, vamos montar um cenário épico a custo quase zero:


Fui em uma quermesse do outro lado da cidade. Era domingo, então não paguei passagem. Tinha 20 reais para comprar os meus dois “copão de GIN”. Encontrei meus amigos, que tinham mais algumas garrafas de VODKA da pior qualidade na bolsa.

Bebemos tudo o que encontramos pela frente, subimos na marquise, demos trabalho, cantamos uns pagodes dos anos 90, vomitei duas vezes no banheiro e deu meia-noite, sem ônibus.

Decidi ir a pé. Duas horas andando, totalmente embriagado, chego em casa, como um miojo, vomito um pouco mais, vou dormir. O alarme do trabalho toca uma hora depois. Bora trabalhar.


Concorda comigo que essa é uma lembrança épica? Essas lembranças nunca mais sairão de você, diferentemente de ir para Paris, tirar dezenas de fotos e comer em um restaurante instagramável cuja comida não é nem de longe tão boa quanto a da barraquinha da esquina da sua casa.

Não estou falando para sair e beber “dois copão de GIN”, até porque não recomendo pela insalubridade. O ponto desse texto é te informar que você pode fazer coisas impressionantes apenas dando uma chance para o ordinário.


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Livro: A lista de convidados


Livro da Lucy Foley sobre um casamento em uma ilha que foi abandonada e ficou vazia por muitos anos. Um casal perfeito, que decide se casar, e logo você descobre que perfeito é somente um café com pão de queijo. A trama se passa por conta da família da noiva e dos amigos babacas do noivo (que, claro, inclui o noivo). O desenrolar do passado mostra como as pessoas são mal resolvidas. Sem muitos spoilers, o livro é bem bacana, tem uma perspectiva feminina difícil de encontrar em livros de suspense. O plot central é muito bem montado, mas acho que se perde em tantos outros que acontecem. Leiturinha rápida, bem dinâmica, divirta-se.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Dormindo no ponto


Já teve aquela sensação de precisar ficar acordado e você não conseguir de modo algum? Não precisa nem ir ao extremo de ter virado a noite. Depois de certa idade, dormir uma hora mais tarde do seu horário pode ser um problemão no outro dia.

Há alguns dias, fui dormir por volta da meia-noite e acordei às 5, como de costume. Tomei meu banho enquanto fazia xixi (otimização de tempo ou salvar o meio ambiente, escolha sua desculpa). Após isso, fui para o trabalho. Às 6:10 já estava tomando um expresso de cápsula para dar aquela renovada.

Às 9 tinha reunião. Não conseguia ficar acordado, mesmo tomando uma xícara colossal de café sem açúcar. Já tentei café, tomar litros de água, levantar e espreguiçar, gerar alguma discórdia nas redes sociais. Nada disso parece funcionar, e aquelas piscadelas que começam a ficar cada vez maiores e frequentes não param de acontecer, tornando a situação insustentável.

Certa vez, pesquisei cientificamente o que funcionava. Vi coisas como dormir 15 minutos e depois trabalhar; outros diziam para fracionar porções de cafeína.

Mas sabe o que realmente funciona? Dormir, só isso funciona.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Livro: O problema dos 3 corpos

Acho que esse é um dos primeiros livros de ficção científica escritos por um chinês que leio. Não posso dar minha conclusão ainda, pois faltam 2 volumes, mas, pelo andar da carruagem, é brilhante. Esqueça a série maluca da Netflix, não chega nem perto do que o livro representa.

A premissa é até que simples: conseguimos mandar mensagens para alienígenas, eles responderam e basicamente se interessaram demais pelo nosso humilde planeta, já que o deles tem todo o problema apresentado no livro.

A ideia mais legal do livro, sem dar muitos spoilers, é sobre a humanidade e nosso legado. O livro traz grandes reflexões sobre como nos comportamos diante de problemas de médio e longo prazo. Os conceitos sobre como as pessoas não se importam com um problema que vai aparecer em gerações futuras com maior impacto e também sobre como muda todo o paradigma de filmes que mostram a raça humana tomando um lado para defender seus interesses. Aqui é mais real: pessoas fecham com alienígenas numa boa.

Para quem é fã de ficção científica, vale a pena colocar na lista. E apenas um pequeno detalhe: os nomes dos personagens são, na grande maioria, chineses, então você pode dar algumas risadas involuntárias se vir um "xim bim bom".

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Livro: Coisa de Rico

Um antropólogo dialogando sobre sua tese de mestrado. Não, melhor: um antropólogo de luxo falando sobre a vida dos herdeiros abastados do nosso Brasil.

A premissa desse livro é maravilhosa: mostra toda a aventura de seu autor (Michel Alcoforado) em busca de concluir seu doutorado para obter o título de antropólogo. O mais bacana são todas as peripécias que ele faz para conseguir acessar os ricos e novos ricos. Fala sobre old money, símbolos que viram códigos para os ricaços se reconhecerem e todo o preconceito desses podres de ricos, que são podres em todos os sentidos.

Se quer uma leitura fácil, que fará você se divertir e ter um pouquinho de raiva ao mesmo tempo, só vai.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Sobre nomes de seriados, animes e novelas

Já parou pra pensar sobre nomes de novelas e seriados? Penso que antes tinha todo um plano para a criação: senhora do destino, irmãos coragem, Vale tudo, noivas de Copacabana.
De um tempo para cá, as coisas mudaram, eu assisto muito animes (desenhos japoneses que mulheres tem super peitos e bundas, enquanto homens de cabelo pretos são contidos e reservados e loiros são protagonista animados que escondem uma dor profunda) e me deparei com alguns nomes como: morri no meu mundo e virei um slime super poderoso, fumando no supermercado com você, renasci como uma máquina de venda de produtos alimentares, vou me reservar ao direito de não falar sobre os nomes que parecem uma sinopse da série.

Mas vamos falar também sobre os nomes americanos, como: perdidos, melhor chamar o Saulo, caso gelado, quebrando a prisão, chutando o balde, o escritório e amigos.  Acredito que por isso o mercado americano está perdendo tanto prestígio nos dias de hoje, veja, não tem como comparar amigos e  Naruto da galera. O que é viver em nova York comparado a ser um demônio de 9 caldas que corre com os bracinhos pra trás?

Gostaria de mais criatividade nos nomes, saudades de um você decide, beijo no vampiro, chocolate com pimenta, o Rei do gado e claro menções honrosas a todas novelas da Talia com o querido Carlos Daniel.
Ah, não se esqueça de La picola sonhadora e Cubanacan (que não me lembro nada além do nome). 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Comidas que maltratam















Já parou pra pensar sobre as comidas que te maltratam? Ou acha que é papo de maluco?

Vou te dar um exemplo prático:
Há alguns dias, fui em uma padaria, pedi um pão na chapa com requeijão na entrada, não sei se tem isso em outras cidades além de São Paulo, basicamente é um pão na chapa comum que após ir para a chapa ele recebe uma camada de requeijão, e você pode escolher se é na entrada ou saída.

Confesso que sempre peço errado.

Em alguma dessas opções o requeijão tem uma pequena crosta muito saborosa, quando você morde, vem aquela explosão de alegria e felicidade, depois vem uma dor no céu da boca por conta do requeijão embaixo da crosta  fervente, como o mármore do inferno.

Isso é uma comida que te maltrata - posso dizer com tranquilidade que é uma relação abusiva que você fica a mercê da comida, muitas vezes nem as autoridades resolvem.

Quer mais uma? 
Pensa naquela feijoada de quarta-feira? Que após o almoço você fica em estado vegetativo.

Não podemos esquecer também do pastel que explode ar quente na primeira mordida ou a pizza de muçarela que dissolve o céu da boca (impossível resistir).

Outra pegadinha é a comida apimentada, tipo o acarajé (todo mundo pede quente da primeira vez) que além de te fazer parecer que correu uma meia maratona por suar bicas, ela, como o requeijão, te maltrata na saída.

Cidade grande, resfriado constante

Já parou para pensar em quantas vezes você fica doente por ano? No básico mesmo - uma gripe, um resfriado uma dor de dente ou uma tropeço en...